Comum a 4Territórios
Para compor esta história, participaram desta intervenção vívida os artistas Giseli Vasconcelos, Guga Ferraz, Arthur Leandro, Chris Ribas, Marcos Abreu, Roosevelt, André Amaral, Vinícius e Fabi Borges.
CARTOGRAFIAS DE CONVIVÊNCIAS:
Qual a história que aqui desejo contar?
mapeando o cerco social e cultural de onde vivo, para onde vou…
DE QUALQUER LUGAR, PARA QUALQUER LUGAR.
Este relato é formado por recortes da convivência estabelecida entre artistas de duas regiões para o projeto 4Territórios. O relato inicia-se com a vinda do artista carioca Guga Ferraz até minha casa em Belém, onde já desenvolvo propostas de convivências com artistas e ativistas desde 2005, ocupando as ruas, com a rede [aparelho]-:. Para o trabalho desenvolvido ainda em Belém, chamo-o carinhosamente como UM HORIZONTE INUNDADO.
Trato aqui, das artes impregnada de convivências, que se derramam em tentativas de desordenar o rumo que nossas ruas e cidades direcionam. Estamos aflitos com o poder da polícia e com a violência. Usufruindo muitos menos do que nos é comum, às ruas de todos nós. De onde podemos nos ver, sem paredes, sem propriedades.
A maior intervenção que o poder nas cidades lança para todos nós é simular a visão e limitar cada vez as vistas do olhar infinito.
Comum a 4Territórios: relato de convivência
Era quase um aguaceiro do mês de março, daqueles que costumam também alagar a estrela. Aqui o céu parece calmo mesmo com as chuvas fortes, a força está nos pingos d’água. Foi assim que recebi guga, num dia de chuva de pingo forte.
Na casa, não convenciono nenhuma chegada. E celebrar, acolher, beber e comer. E sempre as longas conversas. E a casa é o dilema da propriedade como espaço privado e espaço comum. A intervenção no espaço privado, a PROPRIEDADE.
Ali eu, guga no 4Territórios e o nosso amigo comum, arthur. A interferência na vida comum, direta e sem frescuras. A realidade cotidianamente vivida.
Recortes da terra úmida.
Não tenho a intenção de tornar compreensível a experiência real contida neste livro aos leitores que não possuem interesses verdadeiros em revivê-las. Espero que essa experiência se perca e se reencontre um movimento geral das consciências, do mesmo modo que estou convencido que as atuais condições de nossas vidas se apagarão da memória dos seres humanos.
O mundo esta para ser refeito: todos os especialistas do seu recondicionamento, juntos não conseguirão impedi-lo. Se esses especialistas não me compreendem, melhor. E certamente não tenho vontade de compreendê-los — Raoul Vaneigem: Traité du savoir-vivre à l’usage des jeunes générations) / A Arte de Viver para as novas gerações / The Revolution of Everyday Life
dance dance revolution!
E o caminho lá da rua no fim de tarde, é rua cheia. Pipa bola botecos igrejas cadeiras.
De quem são as ruas?
A autocensura mediando às expressões, nas ruas. Vozes veladas.
O ping-pong do resto das madeiras.
Como falamos. Como somos. Qualquer esforço natural nesse sentido será bom
–Oswald da Andrade: Poesia Pau-Brasil