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Digitofagia

digitofagiaColetânea sobre a Cultura Eletrônica e Digital Brasileira Contemporânea

Net_Cultura é uma coletânea pensada para ser publicada através do selo Comum, elaborado a partir de uma parceria com a editora Radical Livros. Nesta primeira edição foca-se em diferentes aspectos da cultura eletrônica brasileira popular que cresce quase invisível por todo o país, pautando-se em retratá-la de uma forma inédita, sob um ângulo inesperado, seja por contribuições de produtores, artistas, programadores, teóricos, agentes culturais, ativistas, escritores ou o público em geral. Fugindo do formato tradicional da maioria dos livros sobre cibercultura brasileiros, nossa tentativa é abranger as vozes mais distintas das muitas comunidades que compõem essa produção, em sua rica diversidade e multiplicidade de pontos de vista. Como tal apresenta-se tanto acadêmica quanto amadora, prática e teórica, convencional e underground, num cruzamento dicotômico desta mesma cultura.

A proliferação de redes populares, baseadas ou não na net, criando diferentes tipos de produções, sejam elas musicais, informacionais ou comunitárias; a (re) aproximação dos grupos e iniciativas que dialogaram em encontros, festivais e projetos do midiatatica.org.; as pesquisas e projetos feitos dentro e fora das universidades certamente necessitam de algum tipo de diálogo que ajudem a definir uma cara brasileira no que é feito, produzido, pensado e programado aqui. Disseminando através da leitura e documentação, a reflexão para estimular bases numa produção cultural, redes e circuitos de forma consciente e politizada.

Comum a 4Territórios

Para compor esta história, participaram desta intervenção vívida os artistas Giseli Vasconcelos, Guga Ferraz, Arthur Leandro, Chris Ribas, Marcos Abreu, Roosevelt, André Amaral, Vinícius e Fabi Borges.



CARTOGRAFIAS DE CONVIVÊNCIAS:
Qual a história que aqui desejo contar?
mapeando o cerco social e cultural de onde vivo, para onde vou…
DE QUALQUER LUGAR, PARA QUALQUER LUGAR.



Este relato é formado por recortes da convivência estabelecida entre artistas de duas regiões para o projeto 4Territórios. O relato inicia-se com a vinda do artista carioca Guga Ferraz até minha casa em Belém, onde já desenvolvo propostas de convivências com artistas e ativistas desde 2005, ocupando as ruas, com a rede [aparelho]-:. Para o trabalho desenvolvido ainda em Belém, chamo-o carinhosamente como UM HORIZONTE INUNDADO.

Trato aqui, das artes impregnada de convivências, que se derramam em tentativas de desordenar o rumo que nossas ruas e cidades direcionam. Estamos aflitos com o poder da polícia e com a violência. Usufruindo muitos menos do que nos é comum, às ruas de todos nós. De onde podemos nos ver, sem paredes, sem propriedades.

A maior intervenção que o poder nas cidades lança para todos nós é simular a visão e limitar cada vez as vistas do olhar infinito.



Comum a 4Territórios: relato de convivência
Era quase um aguaceiro do mês de março, daqueles que costumam também alagar a estrela. Aqui o céu parece calmo mesmo com as chuvas fortes, a força está nos pingos d’água. Foi assim que recebi guga, num dia de chuva de pingo forte.



Na casa, não convenciono nenhuma chegada. E celebrar, acolher, beber e comer. E sempre as longas conversas. E a casa é o dilema da propriedade como espaço privado e espaço comum. A intervenção no espaço privado, a PROPRIEDADE.

Ali eu, guga no 4Territórios e o nosso amigo comum, arthur. A interferência na vida comum, direta e sem frescuras. A realidade cotidianamente vivida.



Recortes da terra úmida.



Não tenho a intenção de tornar compreensível a experiência real contida neste livro aos leitores que não possuem interesses verdadeiros em revivê-las. Espero que essa experiência se perca e se reencontre um movimento geral das consciências, do mesmo modo que estou convencido que as atuais condições de nossas vidas se apagarão da memória dos seres humanos.

O mundo esta para ser refeito: todos os especialistas do seu recondicionamento, juntos não conseguirão impedi-lo. Se esses especialistas não me compreendem, melhor. E certamente não tenho vontade de compreendê-losRaoul Vaneigem: Traité du savoir-vivre à l’usage des jeunes générations) / A Arte de Viver para as novas gerações / The Revolution of Everyday Life

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